Séries

Quem trata os transtornos alimentares ?

Na série “Quem trata os Transtornos Alimentares (TA)? ” profissionais de diferentes especialidades nos informam sobre os papéis exercidos por cada um deles dentro de um tratamento que é SEMPRE multiprofissional.

 

 

CAPÍTULO 1 (aproveite e leia os demais capítulos na sequência abaixo)

O papel da Medicina no Tratamento dos Transtornos Alimentares

Os transtornos alimentares de maior frequência na população geral são anorexia nervosa, bulimia nervosa e transtorno da compulsão alimentar (TCA). A literatura médica mundial já estabeleceu que a melhor maneira de se tratar qualquer desses transtornos é com equipe multidisciplinar, sendo o médico o líder desse time.

Dentre as atribuições médicas temos a realização de uma consulta detalhada do cliente, a fim de avaliar a intensidade e gravidade dos sintomas do transtorno. Com isso, pode-se realizar o diagnóstico clínico adequado de sua condição física e psíquica. Caso seja necessário, serão solicitados exames complementares (de sangue, de imagem etc). Também será realizada a investigação de comorbidades clínicas e psiquiátricas, muito frequentes nesses transtornos.

A terapêutica será indicada de acordo com cada caso. Em relação à anorexia nervosa, a indicação de medicamentos ocorrerá em casos que haja comorbidade psiquiátrica ou em refratariedade ao tratamento. Já para bulimia nervosa ou TCA, há alguns tipos de psicofármacos que trazem melhora nos episódios compulsivos observados no quadro clínico.

Cabe também à área médica a decisão do local de tratamento, que pode ser inclusive em regime de internação, de acordo com características do cliente.

O AMBULIM vem realizando tratamento de transtornos alimentares há mais de 25 anos, contando com o trabalho multiprofissional. Não hesite em procurar ajuda caso apresente algum problema alimentar.

 

Fábio Tapia Salzano, graduado em medicina pela FMUSP, residência médica em psiquiatria pelo IPq HCFMUSP, mestrado em Ciências pela FMUSP, vice coordenador do AMBULIM (Programa de Transtornos Alimentares do IPq HCFMUSP).

 

 

 

 

 

 

CAPÍTULO 2

Papel da abordagem nutricional nos transtornos alimentares

Todas as diretrizes de tratamento para os transtornos alimentares (TA) colocam a absoluta necessidade de uma abordagem multiprofissional, e uma vez que a relação disfuncional com a comida é central nos quadros, a abordagem nutricional é fundamental e central.

No entanto, é preciso atentar para o fato de que, conforme colocado por Stellefson (Winning the war within – nutrition therapy for clients with anorexia or bulimia nervosa. Texas: Helm Publishing, 1999) “em TA qualquer tratamento é pior do que nenhum”.

Isto se coloca porque, infelizmente, a Nutrição se caracteriza por uma profissão muito prescritora- no sentido de dizer o que fazer ou não – o que não resolve os problemas com a comida – especialmente para pacientes com TA. Mais ainda do que isto, nos dias atuais, a Nutrição é uma ciência super atacada por modismos e mitos, e há profissionais que trabalham se “aproveitando” disto e sem pauta na ciência.

Portanto, é fundamental que haja uma nutricionista na equipe, mas ESPECIALIZADO em TA. Embora o Brasil ainda tenha poucos centros especializados, o AMBULIM forma há mais de 10 anos nutricionista com aperfeiçoamento em TA. Assim é possível encontrar vários nutricionistas especialistas! Consulte este site para maiores informações.

 

Profa. Dra. Marle Alvarenga

Nutricionista, mestre, doutora e pós-doutora pela Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP.  Orientadora do programa de pós-graduação em Nutrição em Saúde Pública na FSP-USP. Coordenadora do Grupo Especializado em Nutrição, Transtornos Alimentares e Obesidade (GENTA); supervisora do grupo de nutrição do Programa de Transtornos Alimentares (AMBULIM-IPq-HC-FMUSP). Idealizadora do Instituto Nutrição Comportamental.

 

 

 

 

CAPÍTULO 3

O papel do psicólogo no tratamento dos Transtornos Alimentares

Sabemos que comemos, ou deixamos de comer, não só pelo que a comida representa, mas muito pelo que pensamos ou sentimos diante dela. O ato de comer é sempre mediado por questões emocionais e cognitivas que nos remetem a crenças, memórias, sensações, afetos e também expectativas. Por este motivo o psicólogo está, ou deveria estar sempre presente em uma equipe multidisciplinar destinada a cuidar de pessoas que sentem alguma perturbação relacionada à alimentação. Caberá ao psicólogo ajudar o paciente a entender e rever tais aspectos envolvidos no contexto da alimentação.

Os Transtornos Alimentares são, em geral, quadros graves, que geram muito impacto na qualidade de vida dos pacientes e de seus familiares. Portanto, o profissional de psicologia deve atuar sempre respaldado por protocolos internacionais atuais e baseados em evidências científicas que representem as melhores e mais confiáveis práticas e condutas de tratamento.

De acordo com um destes protocolos, por exemplo, o NICE – National Institute for Health and Care Excellence (2017), caberá ao psicólogo desde o foco nos processos de motivação e engajamento do paciente e familiares para o tratamento, até  a intervenção nos aspectos psicológicos mantenedores dos transtornos. No que se refere, principalmente à Anorexia e Bulimia Nervosas, são relevantes e devem ser priorizadas as questões ligadas à baixa autoestima, perfeccionismo, insatisfação com a imagem corporal, isolamento social e sentimentos de baixa competência pessoal. A Terapia Cognitivo-Comportamental e suas variações aparecem como as abordagens mais recomendadas para lidar com tais aspectos, buscando desafiar comportamentos, cognições e padrões de pensamento diretamente relacionados aos Transtornos Alimentares. Sabe-se que, nos pacientes com Transtornos Alimentares,  os comportamentos de restrição e compulsão alimentar costumam funcionar como respostas às dificuldades emocionais.

Outra frente de atuação do psicólogo, nestes quadros, refere-se ao trabalho junto aos familiares, os quais chegam para o tratamento necessitando de apoio e orientação. Após anos de convívio com a doença as famílias muitas vezes sentem-se culpadas e também já se adaptaram aos rituais alimentares disfuncionais dos pacientes e envolveram-se em dinâmicas que também podem estar funcionando como mantenedoras dos transtornos.  O tratamento é uma oportunidade de melhora destes padrões.

Por fim, vale destacar que a intervenção do psicólogo visa ainda resgatar os sentimentos de confiança, competência pessoal e esperança de melhora, através de um vínculo terapêutico empático, cuidadoso e profissional.

 

Rogéria Taragano

Psicóloga, Mestre em Ciências pela Faculdade de Medicina da USP e Mestre em Administração pela Carnegie Mellon University.  Especialização em Transtornos Alimentares e Terapia Cognitivo-Comportamental pelo Instituto de Psiquiatria HCFMUSP. É coordenadora do atendimento ambulatorial em Anorexia Nervosa do serviço de psicologia do AMBULIM-IPq-HC-FMUSP.

Fonte da Imagem: https://www.miuc.org/why-study-psychology/

 

 

 

CAPÍTULO 4

Papel da fisioterapia nos transtornos alimentares

Sentir que o corpo ou parte dele está maior do que ele realmente é, é chamado de distorção perceptual da imagem corporal. É um sintoma dos mais persistentes nos TA, de difícil tratamento, permanece mesmo após recuperação eficiente do transtorno alimentar e predispõem à recaída.

É uma sensação que causa um grande conflito e sofrimento porque a percepção distorcida do tamanho do corpo existe de fato apenas para quem a sente e não é visível para os outros. O que acontece é que o cérebro registra neurologicamente um mapa corporal a partir da sensação e da crença que a pessoa tem do tamanho e a forma do corpo dela. Desta forma este mapa faz com que a pessoa acredite que o corpo está grande e este corpo será julgado a partir desta referência.

Portanto um tratamento de reabilitação da distorção dimensional da imagem corporal por meio de fisioterapia específica é necessário para compor o tratamento multiprofissional do TA. O objetivo da reabilitação é fazer com que a pessoa reconheça o tamanho real do corpo.

Profa.Dra. Bianca E Thurm

Fisioterapeuta, mestre e doutora pela USJT e pós-doutoranda pela Faculdade de Medicina do HCFMUSP. Aprimoramento em TA (AMBULIM-Ipq-HC-FMUSP). Colaboradora do Laboratório de Percepção Corporal e Movimento (USJT), do Ambulatório de Bulimia e Transtornos Alimentares – AMBULIM e ECAL e do Programa de Transtorno Alimentar da Infância e Adolescência – PROTAD (IPq-HC-FMUSP). Membro da Academy of Eating Disorder e líder do Grupo de Pesquisa “Percepção Corporal e Movimento” do CNPQ

 

 

 

CAPÍTULO 5

A prática de exercícios físicos: um complemento ao tratamento dos transtornos alimentares

As práticas corporais podem ser coadjuvantes no tratamento de muitas doenças. Porém, nos transtornos alimentares, antes de orientar qualquer tipo de programa de exercícios é necessário, tanto o profissional de educação física quanto o terapeuta corporal, compreender as especificidades desta síndrome tão complexa. Isso porque, nos diagnósticos de anorexia e bulimia, o exercício pode atuar como um fator mantenedor da doença.

A pratica de exercício disfuncional (excessivo e/ou compulsivo) é um comportamento frequente nos pacientes, por isso, a prescrição de exercícios envolve uma formação que vai muito além do nosso campo de atuação. No tratamento, nossa atuação vai desde aconselhamentos para tornar a prática de exercícios verdadeiramente saudável e desmistificar crenças, até orientar exercícios com foco nos efeitos terapêuticos. Também é possível fazer uso de estratégias como atividades em grupo para promover a sociabilização e a ludicidade.

Nos casos de transtornos em que esta relação não é disfuncional, podemos ajudar o paciente a ressignificar a prática de exercícios sem foco em resultados estético, peso ou composição corporal. Estes aspectos são totalmente secundários, e são exatamente a causa de muita insatisfação, frustração e descontentamento, que resultam em falta de motivação e a uma baixa adesão em um estilo de vida ativo.

O profissional precisa saber trabalhar em conjunto com a equipe de medicina, nutrição, psicologia, e fisioterapia, para assim unir forças e psicoeducar os pacientes sobre as multifacetas da relação atividade física e transtornos alimentares. Atuar de forma interdisciplinar é a essência da contribuição do profissional de educação física para o tratamento destas doenças.

 

Palavras-chave: Exercício físico; transtornos alimentares; exercício intuitivo integrativo.

Paula Costa Teixeira

Possui graduação em Educação Física (licenciatura plena) pela UniFMU e doutorado direto em Neurociências e Comportamento pelo Instituto de Psicologia da USP. Especializada em teorias e técnicas para Cuidados Integrativos pela UNIFESP. Colabora com o Programa de Transtornos Alimentares – AMBULIM do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo (com pesquisa, ensino e atendimento aos pacientes). Parceira do Instituto Nutrição Comportamental, e também do Centro de Estudos do Laboratório de Aptidão Física de São Caetano do Sul – CELAFISCS. Membro do Grupo Especializado em Nutrição, Transtornos Alimentares e Obesidade – GENTA e da Academy for Eating Disorders. Idealizadora do Exercício Intuitivo Integrativo.

 

 

 

CAPÍTULO 6

Atuação da enfermagem nos Transtornos Alimentares

Lidar com indivíduos portadores de TA não é tarefa fácil. Os comportamentos encontrados nas pessoas que sofrem destas psicopatologias levam a graves complicações nutricionais, psicológicas, fisiológicas e sociais, exigindo dos profissionais de enfermagem conhecimento e preparo para o desafio no processo desse cuidado.

Através da sistematização da assistência de enfermagem é possível conhecer a história da doença de cada um e traçar um plano terapêutico-assistencial individualizado, promovendo a saúde e assegurando a vida que, muitas vezes, se encontra ameaçada.

O enfermeiro ocupa uma posição chave dentro da equipe. As pessoas com transtornos alimentares têm grandes dificuldades de desenvolver relações de qualquer espécie. Geralmente, eles são inseguros e dependem da aprovação dos outros, isso sucede devido à habitual característica de apresentarem baixa autoestima. Consequentemente, seus relacionamentos são permeados de medo e, por isso, estes pacientes podem se tornar hostis e isolados. Além do mais, como resultado desta insegurança, podem tentar manipular situações que envolvam aqueles com quem mantêm algum tipo de vínculo. Manejar estes comportamentos requer por parte do enfermeiro habilidades como paciência, confiabilidade, consistência no falar e no agir, honestidade, capacidade para lidar com ansiedade e para estabelecer limites.

A família também deve ser vista, acolhida e envolvida no tratamento. A atenção deve estar voltada para ambos, sempre, lembrando que todos necessitam de ajuda e que o restabelecimento completo poderá levar muito tempo, sendo comum as recaídas, o que demanda constante atenção por parte de toda equipe multidisciplinar.

 

Palavras-chave: Transtornos alimentares; enfermagem; tratamento.

Varlene Barbosa Ferreira

Graduada pela Universidade Estadual do Pará (UEPA), Especialista em Enfermagem em Psiquiatria e Saúde Mental pela Universidade Estadual de São Paulo (UNIFESP), Enfermeira Chefe da Enfermaria de Comportamento Alimentar do Instituto de Psiquiatria do HC-FMUSP.

 

 

 

 

CAPÍTULO 7

Família e o Tratamento dos Transtornos alimentares

A família é peça fundamental no tratamento dos Transtornos alimentares. A dinâmica familiar pode ser responsável pela determinação, desenvolvimento e manutenção do transtorno alimentar. Cabe a nós, terapeutas, juntamente com a família, desconstruir as histórias limitantes que o transtorno alimentar lhes impôs, buscando entender o padrão relacional dos entes.

No início da terapia familiar, em 1950, a família era tratada de forma isolada do paciente, uma vez que entendiam os comportamentos disfuncionais nessa família como mantenedores dos sintomas alimentares. Foi na década de 1970, que a família passou a ser inserida à abordagem multidisciplinar da anorexia e bulimia nervosa, a partir dos trabalhos de Salvador Minuchin nos EUA e Mara Palazzoli na Itália.

No AMBULIM – Programa de Transtornos Alimentares do Instituto de Psiquiatria do HC-FMUSP, as famílias são convocadas logo na primeira semana de tratamento. Os encontros acontecem semanalmente, com uma hora de duração, além dos encontros mensais psicoeducativos. O intuito é orientar as famílias sobre o funcionamento da doença, dúvidas em relação ao tratamento, modos de enfrentamento, entre outros. É essencial desenvolver um espaço confiante, onde elas possam compartilhar suas angústias, medos, incertezas e manter a luta pelas mudanças.

O AMBULIM é considerado o maior centro especializado de transtornos alimentares do Brasil e da América Latina, entretanto não deixe de procurar ajuda caso você perceba que seu filho ou outro membro da família esteja com alguma dificuldade alimentar.

 

Palavras-chave: terapia familiar; família; psicologia; tratamento; transtornos alimentares.

Isabelle Tortorella

Psicóloga formada pela Universidade Salvador (2006). Especialista em Terapia Familiar e de Casal pela PUC-SP (2010-2012). Cursando VIII Certificado Internacional em Práticas Colaborativas e Dialógicas pelo INTERFACI – Instituto de Terapia: Família, Casal, Comunidade e Indivíduo. Curso avançado em Transtornos Alimentares pelo HC-FMUSP. Coordenadora da equipe de família na Enfermaria do Comportamento Alimentar ECAL-IPq-HCFMUSP. Docente do Curso de Imersão sobre Transtornos Alimentares do AMBULIM-IPq-HCFMUSP. Psicóloga clínica.

 

 

 

CAPÍTULO 8

A Neuropsicologia no Tratamento dos Transtornos Alimentares 

 

 

A neuropsicologia estuda as relações existentes entre o cérebro e o comportamento humano, assim como suas funções mentais, tais como: a atenção, a linguagem, a memória, a percepção e as funções executivas, que são habilidades e capacidades que permitem ao indivíduo controlar, regular seus pensamentos e comportamentos, executando as ações necessárias para atingir um objetivo, ou seja, a realização de ações voluntárias, independentes, autônomas, auto organizadas e direcionadas para metas específicas.

No atendimento de pessoas com transtornos alimentares, a neuropsicologia atua na identificação de déficits cognitivos associados aos sintomas clínicos do transtorno, através da avaliação neuropsicológica, com o objetivo de avaliar a relação entre vários mecanismos do processamento cognitivo e os comportamentos alimentares, a fim de obter uma melhor compreensão do funcionamento e auxiliar no processo de intervenção terapêutica junto à equipe multidisciplinar, bem como no processo de reabilitação neuropsicológica.

Estudos mostram que pacientes com Transtornos Alimentares apresentam déficits de atenção, de memória, déficits significativos nas habilidades visuo motoras, déficits na capacidade de planejamento e de solução de problemas (Função Executiva), na Tomada de Decisão e diminuição da capacidade de abstração e flexibilidade cognitiva, devido principalmente à desnutrição, distorção de imagem e alterações no estado de humor.

O comprometimento cognitivo afeta a capacidade funcional e, esse declínio funcional, interfere na execução de tarefas diárias, principalmente as funções executivas, responsável pelo controle e regulação dos pensamentos, emoções e ações,  gerando grandes consequências para a manutenção da vida social.

Como estratégia de intervenção, a reabilitação neuropsicológica busca reduzir os efeitos de déficits cognitivos e alterações de comportamentos emocionais que se constituem como obstáculos ao desempenho adequado em tarefas do cotidiano, ou seja, melhorar o aproveitamento das funções total ou parcialmente preservadas por meio do ensino de estratégias compensatórias, aquisição de novas habilidades e a adaptação às perdas permanentes. Sendo possível, desta forma, melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

Palavras-chave: Neuropsicologia, Reabilitação Neuropsicológica e Transtornos Alimentares.

 

 

Andreza Carla de Souza Lopes

Neuropsicóloga, Psicóloga Clínica, Mestre em Neurociências e Comportamento pela Universidade do Estado de São Paulo – USP, pesquisadora e Coordenadora da Equipe de Neuropsicologia do Programa de Transtornos Alimentares (AMBULIM) do Instituto de Psiquiatria do HCFMUSP.

 

 

CAPÍTULO 9

O papel do cirurgião-dentista no atendimento ao paciente com transtorno alimentar

Os transtornos alimentares (TA) causam consequências não só na saúde geral como também na saúde bucal dos pacientes. A condição bucal pode ser extremamente afetada pelo comportamento do paciente e pelas alterações fisiológicas que afetam a região orofacial. A desnutrição e a autoindução de vômitos presentes nos quadros de anorexia nervosa e de bulimia nervosa, por exemplo, em seus diversos graus de gravidade, podem causar: erosão dentária (em decorrência da ação do suco gástrico nos dentes), candidíase oral, mucosite, queilite, alterações nas glândulas salivares, lábios secos, ardência em língua, edema em glândulas parótidas, maior prevalência de gengivite e de lesões de cárie, recessão gengival, alterações nos parâmetros salivares, e presença ou agravamento do quadro de dor orofacial e de disfunção temporomandibular. Tais sinais e sintomas podem ser agravados pela deficiência nutricional, distúrbios metabólicos, higiene oral deficiente e fármacos que causem xerostomia (sensação de boca seca).

Tais alterações causam desconforto, dor e prejuízos na estética e na qualidade de vida, interferem no estado emocional além de dificultar a ingesta alimentar, comprometendo, ainda mais, o estado nutricional desses pacientes.

A alimentação e o bem-estar físico e geral são fatores essenciais para um melhor prognóstico no tratamento de pacientes com transtornos alimentares. Desse modo, o reconhecimento das manifestações bucais presentes em portadores de TA é fundamental, porque esses sinais e sintomas podem informar sobre a progressão da doença, e, paralelamente, sobre estado de saúde geral do paciente, sendo de grande importância, haja vista que os cirurgiões-dentistas podem ser um dos primeiros profissionais da saúde a terem contato com este grupo de pacientes reconhecendo as manifestações bucais decorrentes desses transtornos.

O tratamento odontológico recomendado é dentro do atendimento multidisciplinar, para estar adequado ao tipo de tratamento e ao melhor momento clínico para ser realizado, levando-se em consideração a saúde do paciente, suas queixas, seu estado médico e emocional atual e suas expectativas. Por isso, o apoio de psicólogos, médicos, educadores físicos e nutricionistas são de fundamental importância, também, para o sucesso no tratamento odontológico, que deve seguir um plano de tratamento específico para cada paciente.

Samanta Pereira de Souza

Cirurgiã-Dentista; Mestre em Ciências da Saúde (Faculdade de Medicina da USP) ;  Pós-graduada em Odontologia Hospitalar/Pacientes com Necessidades Especiais (Instituto de Psiquiatria – Hospital das Clínicas da FMUSP); Pós-graduanda em Medicina Tradicional Chinesa; Pós-graduanda em Laserterapia; Pesquisadora na área de Saúde Bucal em Pacientes com Transtornos Alimentares; Colaboradora do AMBULIM

Docente no curso de Odontologia na Universidade Nove de Julho

samantaodonto@gmail.com/ www.especialodonto.com.br

 

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