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Conscientização sobre Transtornos Alimentares

Atitudes alimentares inadequadas e comportamentos para controle de peso não-saudáveis são identificados com bastante frequência na sociedade contemporânea, principalmente entre os mais jovens. No entanto, em alguns casos, a preocupação excessiva com o peso e a imagem corporal pode levar ao desenvolvimento de sintomas alimentares graves, que chegam a prejudicar a saúde física e o funcionamento psicossocial do indivíduo. Quando isso acontece, estamos diante de um TRANSTORNO ALIMENTAR.

 

Os transtornos alimentares são doenças psiquiátricas relativamente comuns na população, com taxas de prevalência que variam de acordo com cada diagnóstico, sendo os mais comuns: Anorexia Nervosa (0,1%), Bulimia Nervosa (1,16%), Compulsão Alimentar (3,5%). Apesar de serem cada vez mais frequentes nos diversos grupos etários e entre os homens, ainda acometem especialmente as jovens do sexo feminino.

As opções de tratamento variam de acordo com o tipo de transtorno e com as especificidades de cada paciente, mas existe um consenso entre os profissionais da área de que os melhores resultados são alcançados quando se dispõe de uma equipe multidisciplinar especializada, que possa trabalhar em conjunto para a remissão adequada dos sintomas no menor tempo possível.

Outra informação que se destaca na literatura refere-se à importância da identificação precoce desses quadros: quanto mais cedo eles forem identificados e encaminhados para tratamento, maiores as chances de recuperação completa. No entanto, ainda se observa uma demora muito grande entre a instalação de um transtorno alimentar e a obtenção de ajuda.

Com o intuito de abreviar esse intervalo de tempo e melhorar as taxas de reposta ao tratamento, trazemos nesse texto alguns sinais de alerta dos transtornos alimentares, podendo auxiliar no reconhecimento desses quadros. São eles:

 

 

Se você desconfia que alguma dessas alterações esteja ocorrendo com você ou com alguém que você ama, não tenha medo, procure ajuda e orientação profissional adequada. É possível voltar a se relacionar de maneira saudável com a comida e com o corpo.

 

Referências Bibliográficas:

Utter J, Denny S, Robinson E, Ameratunga S, Crengle S. Identifying the ‘red flags’ for unhealthy weight control among adolescents: Findings from an item response theory analysis of a national survey. International Journal of Behavioral Nutrition and Physical Activity 2012, 9: 99.

American Psychiatric Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders. Fifth Edition, Text Review. Washington, DC: American Psychiatric Association; 2013.

Kolar, DR; Rodriguez, DLM; Chams, MM; Hoek, HW. Epidemiology of eating disorders in Latin America: a systematic review and meta-analysis. Current Opinion Psychiatry, 29 (6): 363-371, 2016.

Hilbert, A; Hoek, HW; Schmidt, R. Evidence-based clinical guidelines for eating disorders: international comparison. Curr Opin Psychiatry, 30 (6): 423–437, 2017.

National Eating Disorders Association (NEDA). Warning Signs and Symptoms. Available from: https://www.nationaleatingdisorders.org/warning-signs-and-symptoms.

 

 

Dra. Mireille Almeida

Psiquiatra do Programa de Atenção aos Transtornos Alimentares (PROATA), do Departamento de Psiquiatria da UNIFESP/EPM. Mestre e Doutoranda do Departamento de Psiquiatria e Psicologia Médica da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP/EPM). Membro da Academy for Eating Disorders (AED) e da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). Formada em Psiquiatria pela Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (ISCMSP) e em Medicina pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

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