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"Sou L.T.V., 35 anos, solteira, mãe de uma menininha de 6 anos.
Tenho Anorexia e Bulimia desde 1994, sob controle desde 2000, após internação no AMBULIM do HC, por estar correndo risco de vida. Na época, estava grávida e o bebê estava correndo sérios riscos também. Me internaram e nessa internação conheci 9 lindas moças com as quais convivi diariamente. Nos tornamos amigas, cúmplices e companheiras de "dor"... Fui a primeira a sair da internação e ao abrirem as portas, prometi pra todas elas que eu venceria, que iria ficar bem. Fiz a mesma promessa pro meu psiquiatra (maravilhoso). Estou "sobrevivendo" desde então. É muito triste às vezes, porque nenhuma delas está mais viva pra poder se sentir "vitoriosa" como eu. Todas morreram e eu estou aqui, por elas e por mim.
Hoje, olho lá pra trás e vejo quanta coisa feia eu fiz, quantas coisas bonitas deixei de fazer e tudo por conta dessas doenças, mas vou em frente... minha promessa me fortalece! E gostaria que mais meninas se juntassem a mim!!! Recaídas??? Sim, elas existem... Ainda me sinto a mesma 'gorda baleia saco de areia' é claro, mas hoje, tento a cada dia, deixar essas sensações ruins longe de mim e me aproximo mais e mais da certeza de que sou muito mais do que um corpo, sou alma, sou coração, sou atitudes, palavras e gestos - e estes, sim, serão lembrados por aqueles que realmente me amam, independente do meu peso.
Quando se tem Anna ou Mia, todo dia é um dia típico, pois nunca se sabe se vamos suportar ou não a presença delas, se iremos vencer ou perder a batalha contra nós mesmos... o que somos e o que sentimos...
Se o depoimento deve conter como são minhas refeições, ficarei devendo resposta, pois não faço refeições "normais"... Tomo todo o café que há no mundo durante o dia todo e, quando estou com muiiiita fome, aí sim, capricho no jantar e como direitinho... Mas nem tudo. E hoje, apesar de saber que isso ainda não é o correto, me dou por contente, pois ao menos três ou quatro refeições por semana eu consigo fazer...
Quanto ao aspecto psicológico, é assim: tem dias que a noite é complicada (rsss)... É sempre o humor 8 ou 80... Tem dias que estou bem disposta, contente, mas tem dias em que me sinto frustrada por algum motivo, e daí percebo o quanto engordei nos últimos 5 anos... Bate tristeza profunda e fico "brava", mas busco dentro do passado, quando estive internada no IPQ (Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas) a força pra levantar e sorrir.
É estranho pensar sobre isso... O que exatamente a Anna e a Mia "roubaram" de mim... O pior é que elas roubaram de mim o direito de ser 'normal', de ser eu mesma, ter minha identidade, minha dignidade.... elas me tornaram uma pessoa "louca", afinal essa doença é uma "loucura", sendo assim, a princípio elas tiraram de mim o meu estado de normalidade, de consciência e sanidade mental... me tornei uma louca e ponto final!!! Diante disso, foram inúmeras as pequenas coisas que deixei de fazer e vivenciar por causa da minha loucura... O fato é que quando se está nesse pesadelo, tudo passa a ser diferente e o pior de tudo é que se fica o tempo todo enganando, fingindo, camuflando e escondendo... É isso que me foi tirado, ou seja, o direito de ser "honesta" comigo mesma e com aqueles ao meu redor e acho isso o pior de tudo, o resto se torna pequeno... as coisas que deixamos de fazer por causa da loucura são apenas características de quem está com medo de engordar e comum a todas nós. Mas hoje vejo que o mais horrível foi, é e sempre será ter perdido minha consciência, minha condição de mulher normal... gostaria de poder me sentir feliz numa pizzaria, mas não posso... é assustador, e por que tem que ser assim??? Porque sou portadora de Anna/Mia - é isso!!!! Elas me privaram da capacidade de viver a vida com serenidade... coisas normais tornam-se pesadelos e monstros...
Nada... Se existisse resposta pra essa pergunta não estaríamos vendo mais e mais jovens entrando nessa escuridão... Quando eu comecei a ter o problema nada se falava sobre isso e eu adquiri. Hoje, o tema está na mídia e mesmo assim muita gente tá entrando nessa... É o mesmo que me perguntar o que fazer pra evitar o uso de drogas: são muitos os "achismos", mas de concreto nada pode ser dito, até mesmo porque cada caso é um caso e ainda pouco se sabe sobre como e porque as pacientes adquirem essas doenças. Existem hipóteses e poucas certezas, portanto não há o que responder. Acredito que no meu caso o que poderia ter evitado o meu pesadelo TALVEZ fosse ter cuidado na infância. Sempre fui obesa e minha família nada fez. Engordava mais e mais, e estava tudo bem para os meus pais. Nunca ninguém me perguntou se eu estava bem sendo 'gorda / baleia / saco de areia'!!! No mais, essa discussão é complexa e nada certo existe...
A família foi ponto negativo nesse tormento. Inicialmente, por nunca terem se preocupado com a minha obesidade. Além disso, quando estava com Anna e Mia, por não terem percebido a tempo, e por nunca terem buscado compreensão sobre o assunto. Minha mãe sempre foi daquele tipo que faz 'trocentas' panelas de comida no almoço e no jantar e que fica 'empurrando' coisas no prato. Isso foi muito ruim, pois acabava por incentivar as compulsões. Não posso dizer que alguém tem culpa do meu problema, mas de certa maneira, ele se agravou por conta de atitudes e posturas indevidas das pessoas ao meu redor, sem dúvida!
Poxa vida, como posso dar conselhos pra quem é como eu? A única coisa que posso dizer é que não devem desistir nuuuunca. Dizer que tem cura e que podemos voltar a ser o que éramos antes, jamais direi. Nossa situação é muito semelhante aos viciados em drogas, ou seja, temos que viver um dia de cada vez. Acordar dizendo pra si mesma: 'hoje não vou me entregar, hoje vou viver longe dessas doenças'. Buscar dentro de si algo que tenha mais valor e mais importância do que o peso ideal e se apegar nisso pra seguir adiante. Ter humildade pra reconhecer que somos impotentes diante delas (anna e mia) e que podemos morrer, e que este preço é alto demais. É ter humildade pra 'fugir' de todas as situações que possam gerar compulsões e não acreditar que pode vencê-las. Certa vez, vi um artista falando sobre cocaína, e ele disse que foge dela, pois ela sempre vence. Comigo é a mesma coisa: sempre fujo de situações em que me veja cara a cara com a Mia, pois sei que ela irá me vencer e isso, sim, pode ajudar, ou seja, reconhecer que ela existe, está lá escondidinha dentro da cabeça e que se eu não ficar alerta, ela me pega... Acho que é assim que estou conseguindo sobreviver - sendo sincera comigo mesma e não querendo me expor ao que hoje sei que eu não posso!! Além disso, é preciso também 'assumir': o passo mais importante de todos é assumir pra você mesma e seus familiares / amigos que o problema existe, e não ficar escondendo - este é o primeiro passo pra quem quer ficar bem - tal qual o viciado em álcool: o primeiro passo pro controle é assumir sua fraqueza!!!
É muito complicado pra quem está de fora entender o que se passa na cabecinha de uma bulímica / anoréxica. Nem mesmo nós conseguimos nos entender, mas de qualquer forma, o importante é que os familiares não manifestem raiva. Precisam compreender que é uma DOENÇA e que somos vítimas dela. É preciso ter cuidado ao falar e agir. No dia a dia, são pequenas as coisas que podem ser feitas, principalmente nas refeições: evitar exageros e cobranças. Buscar informações sempre pra tentar entender o mínimo possível e correr atrás de ajuda externa, não achar que 'isso passa logo', pois este 'logo' pode nunca chegar!!! Conversar abertamente sobre o assunto, mas sem demonstrar irritação. Tornar o momento da refeição agradável, tranqüilo e de aconchego e não colocar muita coisa na mesa e pia. Evitar excessos em geladeira e armários. Infelizmente, quando se tem alguém com Anna e Mia na família, isso acaba por modificar / alterar toda a rotina da casa e não há como escapar disso. Evitar revistas e programas de TV que cultuam em demasia a estética feminina. Evitar conversas que abordem este tema e, na medida do possível, ficar perto da doente após as refeições..."
"Eu preciso de ajuda. Eu to tão mal. To precisando tanto de ajuda. Eu to tão fraca, tão doente, tão necessitada de apoio. Só que ninguem ouve, ninguem ve.
As pessoas me vêm dançando, cantando, rino, de nariz empinado. So que isso é só uma máscara. Eu to gritando, gemendo por dentro. Só que ninguem me escuta. e eu sei que sosinha eu não vou consiguir. Só vou me enfiar mais nessa doença...porque sei que to doente, sei que preciso de ajuda. Só que ninguem percebe. E isso é o pior. pois me sinto sosinha no meio de tanta gente. Todo mundo pensa que sou forte,mas na verdade eu não to aguentando mais, eu vou explodir, eu to um caco. Só que ninguem ve
E o pior de tudo é que ela n é uma doença que está no corpo,que basta uma operaçao para resolver. Ela tá na mente e seus menores danos são mostrados no corpo. Se o corpo tá assim a mente ja tá destruida. É horrivel! Você tenta lutar contra seus próprios desejos.e vontades.
Não é frescura não...Não é uma dorzinha qualquer não...é uma dor muito mas muito forte mesmo...eu choro,grito,eu fico gemendo de dor...fico transpirando frio...quando como alguma coisa...é muit ruim...é tão forte que eu chego a dormir de tanta dor...eu não consigo nem andar...
Eu não desejo nem para a pior pessoa do mundo o que estou passando...
Porque as aparencias engana tá...
Porque ninguem percebe meu real estado...e quando percebe já é tarde d+...a doença já te destruiu por dentro...igual no meu caso...eu já perdi para ela...
e por mais q eu lute...a dor é forte d++++++....as veses penso em desistir...mas depois eu penso em tudo...e eu sou mais eu...e sempre me ergo e continuo lutando...mais tudo tem seu limite de tolerância...e eu já to chegando nele...eu não to suportando mais...eu me olho no espelho e nem sei mais quem é a pessoa que tá na minha frente...eu choro todo dia...
sabe eu to cansada de me preucupar com os outros e ninguem se preucupar com migo...ninguem notar que to sofrendo...to implorando ajuda e ninguem nota...
sabe...meu corpo doi todo...sinto dor por ele todo...
e eu quero voltar ao normal...só que é mais forte do q eu...muit mais...e sosinha sei, tenho certeza de que não vou conseguir...
eu tento ajudar todo mundo...eu tento dar o melhor de mim para agradar a todos...só qe ninguem tenta me ajudar...e eu não quero chegar ate o final da linha poeque ai ja vai ser tarde d+...ai era uma vez uma menina q tinha sonhos para serem realizados...pq eu to me matando aos poucos e não consigo parar...
e não é exagero meu não...eu não to almentando não...eu to sofrendo d+...eu nao durmo nada...eu desmaio de dor...porque meu corpo tá doendo todo...minha cabeça...eu to extressada...é uma angustia que não tem fimmmmmm..."
Ao longo desses três anos de sua existência, a ASTRAL-BR já ajudou inúmeras pessoas com transtornos alimentares nos mais diversos lugares de nosso país, seja conseguindo tratamento, indicando médicos, dando esclarecimentos, ou mesmo com uma palavra amiga Entre você também! Participe de nossas atividades! E tenha a certeza de que você também pode contar com a ASTRAL BR!