In Memorian
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No dia 05 de maio de 1981, na cidade de Bento Gonçalves, Rio Grande do Sul, nascia Paula, filha de Dª Ana Lúcia e do Sr. Carlos Alberto Peixoto, irmã de Alexandre, que já contava, então, quatro anos e meio.

Paula, ao contrário do restante da família, que era nascida no Rio de Janeiro, era Gaúcha. Isso se deu em virtude da profissão do pai, militar, o que obrigava a família a se mudar frequentemente.

Segundo seus pais, Paula teve uma infância tranqüila. Porém quando Paula completou 12 anos de idade, seus pais repararam que, apesar de ela ser uma menina muito inteligente, com notas excelentes na escola, Paula não tinha o hábito de cultivar amizades. Em certa ocasião, quando seus pais pediram que ela procurasse algumas colegas da escola para sair, Paula deu a seguinte resposta: “Para que? Se daqui algumas semanas nós vamos nos mudar novamente?”

No início de 1997, a família se mudou para Brasília - DF. Lá Paula foi muito feliz. Fez muitas amigas no colégio militar. Era vista sempre em grupo e frequentemente ia com elas ao Mc Donalds que ficava próximo de onde moravam.

Ocorre, porém, que seis meses após a chegada a Brasília, Carlos Alberto, que já tinha tempo de serviço suficiente para se aposentar, recebeu uma proposta para ingressar na atividade privada. A família analisou os prós e os contras da proposta e resolveu aceitar. Apenas Paula mostrou-se contrariada, uma vez que aquilo representaria mudança para Dourados - MS e fim da sua momentânea felicidade.

Em dezembro de 1998, para alegrá-la, sua família assentiu que Paula fosse submetida a uma cirurgia plástica de redução de mamas. A cirurgia foi um sucesso, deixando Paula contente e abandonando certos preconceitos que tinha a seu respeito, de ser feia, muito alta, etc, passando até a usar roupas mais decotadas.

Daí iniciou-se um processo de querer emagrecer para ser modelo, ou para ser notada pelos rapazes. O processo durou cerca de um ano. Paula que media 1m e 80 de altura e tinha de início 79 kg, faleceu pesando 53 kg.

A família conta que desde que notaram que havia algo de errado pela perda rápida de peso e a abstenção quase que completa de alimentação que contivesse açúcar, gordura e massas, eles procuraram um psiquiatra que passou a acompanhá-la.

Contudo, o peso continuava caindo. Cerca de dois meses antes de Paula falecer, os pais notaram que o pouco que comia; cenoura crua, pepino, maçã com adoçante artificial e água, quase que imediatamente ela ia ao banheiro e os devolvia (bulimia). O psiquiatra foi novamente procurado e a nova descoberta relatada; o mesmo pediu aos pais que a levássemos até ele ainda naquela tarde, pois anorexia com bulimia tornavam as coisas mais difíceis. Paula foi levada ao médico e ele disse que iria interná-la, pois do jeito que estava não dava para continuar.

Paula, muito esperta, arrumou logo um pretexto para não ser internada: as provas do curso de direito que começariam na semana seguinte. Ela disse que faria tudo que lhe fosse mandado, desde que não fosse internada.

Assim foi feito; uma nutricionista foi procurada para acompanhar o tratamento e dois remédios foram prescritos: um antidepressivo que ela tomava à noite antes de dormir e, dez injeções de 20 cc que tinha que tomar diariamente, também à noite. Tudo foi feito, até parecia que as coisas estavam entrando nos eixos. Paula, que retornava da faculdade por volta das 23 horas, se mostrava mais alegre. Ia para a cozinha e fazia algo para comer antes de ir para o seu quarto e navegar na internet, que fazia diariamente até por volta das três horas da madrugada.

Como fazíamos mensalmente, no dia 19 de maio de 1999 a levamos ao laboratório de análises clínicas para fazer exames de sangue. No dia 20, por volta da 13 horas, a mãe de Paula foi ao laboratório apanhar o resultado dos exames e, pela primeira vez, estava aparecendo uma discreta anemia e o colesterol total estava ligeiramente acima de 200.

Dª Ana Lúcia chegou com os exames e foi ao quarto acordá-la para informar que o “regime louco” que ela estava fazendo, já estava começando a dar problemas. A comunicação não foi possível, pois ela já estava desfalecida na sua cama.

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