Quem Somos

Maria Clara Siqueira Castro, nascida no Rio de Janeiro em 1980, formou-se em direito na PUC-RJ no ano de 2004. Desde os primeiros semestres da faculdade foi estagiária e depois tornou-se advogada e sócia do escritório Siqueira Castro – Advogados, de seu pai.

Contudo, sua notável e impressionante vocação não era a prática do direito ou o exercício da advocacia, mas sim o voluntariado social e compromisso integral de ajudar o próximo, os desamparados, os carentes de meios, enfermos, especialmente as crianças, os idosos e portadores de deficiência física e mental, enfim, as pessoas em estado de orfandade social.


Aos 12 anos de idade, Maria Clara ficou diabética pelo colapso do pâncreas, sem que tivesse qualquer antecedente dessa doença na família, tornando-se dependente de injeções diárias de insulina.

Ainda na adolescência, ela desenvolveu um transtorno alimentar gravíssimo, a bulimia nervosa, que prejudicava ainda mais as sequelas do diabetes. Para se ter uma ideia, o índice de óbitos nos Estados Unidos de jovens acometidas simultaneamente do diabetes tipo 1 (dependente de insulina) e transtorno alimentar (Bulimia Nervosa), chamado de “diabulimia”, é de 30%. Isto a levou a inúmeras e sucessivas internações no Brasil e no exterior, especialmente, na Renfrew Center, nos Estados Unidos, por recomendação do médico psiquiatra e professor da Universidade de São Paulo, Táki Cordás. Nessas oportunidades em que esteve se tratando nos Estados Unidos, ela aprofundou seu conhecimento, dedicou-se ao estudo e reuniu extenso material informativo e interdisciplinar sobre os distúrbios alimentares.

Advogada Maria Clara Siqueira Castro teve diabulimia na adolescência


Nessa época, Maria Clara constituiu a ONG ASTRAL, Associação Brasileira de Transtorno Alimentar, procurando e reunindo pessoalmente especialistas na área da psiquiatria, da psicologia, da clínica médica, da nutrição e da endocrinologia, para formar um corpo técnico de excelência que pudesse atender meninas e jovens adolescentes em todo o Brasil portadoras de distúrbio alimentar. Através do site ASTRAL que ela montou, começou a receber centenas de mensagens de jovens e de seus angustiados familiares solicitando ajuda para enfrentar essa doença terrível e mortal de fundo psiquiátrico. Ela colocava essas pessoas em contato com os especialistas de cada Estado da federação que conseguiu atrair para esse projeto de grande alcance social, além de enviar a todos um kit com informações completas, organizado por ela mesma, para ajudar os pacientes e suas famílias a terem uma melhor compreensão sobre os transtornos alimentares e sobre os caminhos para o tratamento e convívio com a doença. Visitou muitas dessas jovens em todo o país, oferecendo-lhes algum conforto e auxílio para lidar com a bulimia e a aneroxia.

Maria Clara pesquisou o sistema de assistência da Saúde Pública em vários países para redigir uma representação ao Ministério Público Federal, ao Congresso Nacional e à ANVISA, com vistas a ser incluída, no Sistema Unificado de Saúde – o SUS e nos planos de saúde privados, a obrigatoriedade de oferecer tratamentos (cobertura médica e internação hospitalar) para os transtornos alimentares. Ela publicou artigos, deu entrevistas, participou de seminários, organizou grupos de estudo e ensejou um pioneiro choque de consciência das autoridades públicas nesse campo de questões ainda incipientes no Brasil.

Maria Clara faleceu aos 35 anos de idade, no dia 12 de junho de 2015. Em sua memória, seus amigos e companheiros do escritório Siqueira Castro fundaram o Instituto Maria Clara para dar prosseguimento aos projetos sociais e obras de caridade iniciadas e conduzidas por ela. Aqueles que tiveram o privilégio de conviver com a Maria Clara foram tocados para sempre por seu espírito de luta, sua generosidade e seu sorriso de luz. Seu exemplo de vida é hoje perene fonte de inspiração para muitos em todo o Brasil, especialmente para aqueles que colaboram com as ações e iniciativas do Instituto Maria Clara e da ASTRAL, com desprendimento, de forma gratuita e sem qualquer outro propósito que não o de servir e ajudar a quem precisa.

Madre Tereza de Calcutá dizia que não importa o que fazemos ou tentamos fazer nesta vida, mas sim a quantidade de amor que colocamos em nossas ações.

A Associação Brasileira de Transtorno Alimentar – ASTRAL, fundada por Maria Clara, é fruto do seu amor ao próximo e aos necessitados.

Assista o Depoimento do médico psiquiatra e professor Dr Táki Cordás, um dos profissionais que tratou de Maria Clara Siqueira Castro.

 

Em colaboração com AMBULIM - Programa de Transtornos Alimentares do Instituto de Psiquiatria.